Mais uma vez.

Para ela, o desconhecido sempre fora sinônimo de perigo. A incerteza costuma gerar desconforto, pois a sensação de não saber onde tudo vai parar lhe aflige. Racionalizar é o verbo que mais lhe agrada. Como se não bastasse analisar as possibilidades concretas, também imagina o que poderia ter sido e tudo passa a ser condicional (se isso, se aquilo...). Das vezes que se deixara levar pelo impulso, os resultados pareciam mais desastrosos, mas mais tarde entendia que é necessário viver, permitir-se acertar ou errar e que isso a tornava atenta a situações semelhantes, pois é com os erros que se aprende.

As experiências têm seu valor, isso é certo, mas precisavam ser sempre dolorosas? Começara, portanto, a se fechar para os relacionamentos e se já lhe era difícil falar de sentimento, agora tanto pior. Estava cansada de sofrer decepções. Passou, então, a não acreditar em elogios, pequenas declarações, demonstrações de interesse. Tudo isso era visto como enganação, uma estratégia para chegarem onde queriam e depois irem embora. Afinal, era o que acontecia e, como diz o ditado, "gato escaldado tem medo de água fria". Para piorar a situação, parece que todos vieram da mesma "fábrica": mesmas conversas, mesma forma de abordagem, mesmo linguajar, mesmas intenções, enfim... a cada situação só mudava um dos personagens, pois o fim da história era quase sempre o mesmo, com diferença de alguns detalhes.

Passou anos alimentando uma história falida, mas que lhe era conveniente manter. De certa forma era uma situação confortável. Não havia cobranças, nem promessas e essa era a única incerteza que lhe agradava, embora também a enlouquecesse. Estava bom pra ambos, quer dizer, pra ela não era tão bom assim, mas era como se satisfizesse só com aquilo. Um dia, esse castelo de areia desabou e era como se um peso lhe saísse das costas. Ainda assim foi estranho perceber que o sentimento tinha deixado de existir há tempos sem que ela se desse conta e que agora não tinha alguém de quem gostar, em quem pensar, sentir saudade...

Página quase virada. Era preciso recomeçar, buscar alguém que desperte seu interesse, mas é tudo muito repetitivo. Onde está o interesse que os homens tinham de conquistar uma mulher, de manter uma conversa agradável por mais de 10 minutos? Mal se pergunta o nome. É frequente a pergunta: "por que você está sozinha?" Cansou de respondê-la. A solidão tem lá suas vantagens.

Um dia, sem que esperasse, apareceu alguém, despretenciosamente. Aparentemente, uma pessoa interessante, divertida, conversa agradável, gentil, educada. Em meio às conversas, ela se pega com um sorriso bobo nos lábios. De repente começou a sentir vontade de se deixar levar, de dar um voto de confiança em si mesma, principalmente. Será que, enfim, encontrou alguém que faz a diferença?

Maria Rita - Feliz

12 Entra aí!:

Clara disse...

Monica , o texto parece muito com que acontecia comigo, e principalmente a ultima parte: foi o que aconteceu comigo.
beijos Monica!!

Dri Viaro disse...

Já estou de volta e o blog tb agora com as atualizações diárias, boa semana
bjs

Jamylle Bezerra disse...

A história parece muito com a de uma amiga querida, a diferença é que ela ainda está na metade do caminho, espero que ela encontre esse final... feliz! Blog legal, voltarei mais vezes.

www.jamyllebezerra.blogspot.com

Lou disse...

É verdade, Monks? Encontrou, encontrou?

Êeeeeeeeeeeee!!!

Que bom que vc gostou do layout novo, ehehe.

Beijinhos

Sandra Timm™ disse...

Se encontrou não sei.

Mas pelamor, muié, se joga bee!!!!

Deixa de ser teimosa e arisca. Vai ser feliz!

Vai sofrer? É um risco que se corre, mas se não tentar, não vai saber nuna.

Olha eu... to feliz que só... e mesmo quando parece que o barco virou, recebo motivos concretos para acreditar que ele está é navegando de vento em popa!

PERMITA-SE SER FELIZ!

Apenas isso.

Beijo

Rafael Belo disse...

Inesperar o inesperado é o quê me faz sorrir. Gosto tanto de conversar até -demore o tempo que demorar- aumentar o respeito entre os conversadores. Belíssimo texto Nikinha, beijos

RITINHA disse...

Ás vezes é preciso acreditar que alguém faz diferença e se jogar, arriscar, tudo tem 50% de chance de dar certo, pq apostar nos outros 50%? Eu prefiro acreditar do que duvidar, mesmo que depois passe dias, meses chorando e remoendo, faz parte da vida e ninguém disse que ela seria fácil e segura o tempo todo. Só se permitindo arriscar é que nos permitimos encontrar algo que nos faz feliz de verdade!
Beijos!

Monica Loureiro disse...

Menina, que texto bom !
Muitas vezes a gente não quer enxergar certas coisas, não é mesmo ?
Adorei, foi terapêutico....

Liciane disse...

Não sei porquê teimamos em insistir em sentimentos que nem existem mais... Deve ser medo...
Mas se acabou e surgiu uma nova chance de ser feliz, com outra pessoa, novos assuntos, novos sentimentos, novas alegrias... aproveita!!!!!!!
Vc está aqui pra ser feliz! Seja!!!
A desilusão faz parte, não temos como saber, então é melhor se arriscar à ser feliz do que não viver nada por medo de ser infeliz, já sendo...
Boa sorte amiga!!!! Aproveita!!
Bjss

Dri Viaro disse...

agora eu li, lindo texto
bjss

Déia disse...

Ebaaaaaaaaaaaaaaaaaa! Se permita, sinta,viva, ame, seja feliz....De uma forcinha ao destino e guarde os medos e teimosias e gatos escaldados no armário.. rsrsrs
To com todos os dedos cruzados!!
bjs

Stella disse...

Torço pra que sim. E que faça diferença pra melhor! :)

Olha, vou te contar que reconheci uma pessoa nesse texto... mas deixa pra lá. rs

Beijos!